Você já deve está pensando milhões de coisas sobre macumba, rituais, sangue ou coisas do tipo mas calma não têm nada disso.

Já tinha tempos que queria conhecer coisas novas e participar de novas experiências e conheci dentro de uma das amizades que havia a religião umbanda, apesar de ter todos os motivos pra ser ateu sempre aparece algo pra você se questionar, mesmo tendo frequentado igrejas como batista, universal, quadrangular por vários anos nunca havia sentido nada de diferente, nada de espírito, nada de desejo de falar línguas ou a presença do espírito santo.

Voltando a umbanda, passei por vários dias enrolando idas até um centro, mas sempre ouvindo relatos , e histórias pra conhecer um pouco desse “mundo”que sofre tanto preconceito, mesmo sendo uma religião  brasileira que agrupa várias características africanas e cristãs. Aquelas histórias, aquela semelhanças com o que pensava, acreditava ou me perguntavam foi agravando minha fome e sede por conhecer e dizer “eu fui, tentei, eu conheci”.

Depois de meses, chegou o tal convite de um amigo, de várias conversas com ele esse assunto estava sempre introduzido, e já tinha passado da hora de eu esclarecer algumas coisas, o que era mito, que música tocava, o que eles falam lá, o que eles acreditam, como é feito, tem sangue, tem oferenda, o que diacho é cultuar a umbanda?

O convite era pra uma segunda-feira uma data normal como todas, mas me fez ficar ansioso pela semana mesmo com o termino do fim de semana. Logo de manha quando acordei recebi a mensagem com algo do tipo “coloque uma blusa clara”. Já tinha escutado sobre cores e energias  se relacionarem, e de que as entidades têm total relação com isso, não ignorei e já fui escolhendo a blusa que não desse problema , o dia foi longo , trabalhei cada segundo pensando em confirmar se iríamos mesmo até o local. Meu amigo estava mais preparado, mas mesmo com o fato de entender e viver mais aquilo, também estava apreensivo.

Fomos a pé depois do serviço eram por volta de 20:00, dois cliques no celular e já traçamos a rota, eram poucos quilômetros, mas pra mim pareciam poucos passos.

Da esquina já se ouvia os tambores, já tinha começado, afinal estávamos atrasados.

Chegamos até a porta, estava aberta, já me senti feliz por não ter restrição, parecia que havia uma placa “entre se quiser, e se entrar, seja bem vindo”. Era um corredor normal de uma casa  na  área de serviço, uma imagem com velas ficava  a esquerda e no fim uma abertura de um cômodo sem porta.

Era de lá que o som vinha, aquele  me empolgava desde a esquina.

Entrei!Senti uma sensação de bem estar assim que pisei dentro. As paredes eram verde claro, a chão azulejado, tudo limpo , uma decoração que vinha do telhado no centro do espaço tinha pipocas coladas, em volta  dessa decoração estavam as pessoas de branco, formando um circulo cantando, atrás três tambores, e no fundo a esquerda por volta de 60 imagens ( sim eu contei) de santos conhecidos no cristianismo e outras de índios.

Sentei numa arquibancada que estava atrás de mim, de lá meu amigo foi trocar de roupa e se juntar a roda.Eu fiquei olhando, batia palmas como todos, a musica era familiar , já fiz 3 anos de capoeira então foi a primeira característica que assimilei e assim fui, cantando quando dava, batendo palma quando podia, e quando a roda começou girar queria lá entrar.

As primeiras coisas que todos falam começaram  a se manifestar, algumas pessoas começaram a rir bem alto, algumas dançavam e giravam e foram se juntando aos outros que já bebiam doses de 51, fumavam cigarros, qualquer  bebida forte parecia água, cigarros eram fumados em questão de minutos, e as pessoas sempre de olhos fechado pareciam saber em qual canto estava cada pessoa daquele salão, isso se seguiu por alguns minutos.

Até que me chamaram estendendo a mão e me levaram até um homem, não muito alto, ele fumava de olhos fechados, me perguntou como eu estava, ele falava como pessoas de outros tempos “Como tem ido vosmicê? “e ali perguntas básicas eram respondidas por mim, até que perguntou “vosmicê tem algo pra me perguntar? “eu sinceramente não sabia, confesso que fui com um pouco de dúvida se aquilo era clichê como já tinha visto em outros lugares, e só disse “não, gostaria mais de ouvir e conhecer”. Essa conversa foi toda ao pé do ouvido como se ali só interessava a mim, e que pra ele era um segredo, pena que de nada me impressionou.

Estava chegando ao término, antes disso era a parte em que éramos benzidos pelas pessoas que estava com entidades, cada pessoa era direcionada por uma mulher que parecia organizar tudo. Me guiaram até o pai de santo dono do terreiro. Yes! Agora sim quero ver.

Ele sentado e eu em pé recebendo baforadas de fumaça e apertões nos dedos, fico de costa, de frente e estaladas de dedos para todo lado, e se repetiu como a primeira conversa com perguntas básicas, até que me fez recomendações depois de encostar aonde ficaria meu rim, que desde então bebo mais água, por precaução . Depois disso novas músicas e danças terminaram o ritual.

Meu relato acaba aqui, fui uma segunda vez na semana seguinte, mais curioso porem tive a mesma reação. Talvez esteja faltando algo talvez você esteja esperando eu falar coisas sobrenaturais ou que reforcem algum preconceito mas não há nada disso aqui. A ida nesse centro só me fez provar algo que estou disposto a ser testado novamente, pessoas precisam de religião, de algo a acreditar, quando a medicina não da conta, a algo em acreditar e confiar que vai dar certo, e isso que acontecia com varias pessoas aflitas ali, seja por doenças, problemas financeiros ou familiares.

Como vi em um vídeo a pouco tempo, existem milhões de pessoas diferentes e assim várias religiões pra atender cada uma delas. Me senti bem indo lá iria novamente, acredito muito em fazer o bem e isso retornara, assim como acredito em energias boas e ruins. Acredite em o que te faz bem o que te conforte. Existimos pra nos conectar com o que queremos da forma que queremos, e não tem mal algum desde que isso não faça mal a outra pessoa.

Dá uma olhada nesse vídeo , uma conversa linda entre um Filósofo, um Pastor, um Ateu, um Padre e uma Agnóstica. Neste vídeo eles se questionam de um jeito muito amigável,  te fará pensar.
https://www.youtube.com/watch?v=4fYnvy4AEtc

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